O Brasil é um dos países com o maior percentual de nascimentos por cesariana no mundo, aproximadamente 40%. Nos EUA as estatísticas eram diferentes até pouco tempo. Até a decada de noventa esse número era perto de 20%. Entretanto, especialistas afirmam que os resultados de 2007 vão apontar uma taxa de cerca de 33%. Número considerado elevado.
Por trás deste movimento de crescimento da taxa de nascimentos por cesariana estão aspectos econômicos e econômico-jurídicos.O primeiro diz respeito a eficiência da cirurgia por cesariana. Em um parto normal o processo pode levar horas. E os custos para os médicos e para o hospital que está provendo o serviço podem ser grandes. Enquanto isso, na cirurgia cesariana o seguro paga todas as despesas, mais serviço são prestados (anestesia e internação) e o método tem duração definida. Em suma, é mais lucrativo e menos arriscado (descontado o risco de infecções) que o parto normal.
O segundo tem a ver com erros médicos durante o parto normal. Se algum incidente (como por exemplo o mal uso do fórceps) ocorrer durante o parto, o médico pode ser processado. Evitar este dipo de processo é mais fácil em uma cesariana. É uma questão de incentivos, o sistema jurídico repassa o risco para o médico, ele dá um jeito de se livrar do risco fazendo uma cesariana. Assim, o médico tende a recomendar cesarianas mesmo quando o ideal seria o parto normal.
Essa tendência têm ocorrido na Europa também. Na Alemanha a taxa já próxima de 30%. Não se pode lutar contra a teoria econômica. Eficiência, incentivos e aversão ao risco explicam grande parte do fenômeno.
Fica uma pergunta. Porque o Brasil foi pioneiro no uso de cesarianas?
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