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quarta-feira, 19 de junho de 2013
Para Onde Vai o Dólar?
Enquanto os EUA não decidem como será feita a diminuição da velocidade do QE3, ficamos aqui nesse compasso de espera. O movimento cambial dos últimos 40 dias, que levou a uma desvalorização de 20 centavos no Real, me parece ter dois componentes.
O primeiro é justamente a incerteza quanto a política americana. Como bem levantou o Alex (AQUI) quando o dólar se valoriza em relação a outras moedas, o Real vai junto na onda da cesta. Em proporção um pouco menor, mas também desvaloriza. O grande lance é entender se esse movimento está sendo totalmente antecipado, ou ainda vai restar um segundo movimento pra quando de fato a medida for anunciada. Essa é a primeira incerteza. A leitura do mercado, com o resultado do CPI, é de que o Fed vai postergar um pouco a saída do QE3. O que daria uma trégua no mercado de BRL.
A segunda incerteza é saber quanto desse movimento é exclusivo do Real e qual será a reação do BC. Ou seja, quanto dessa desvalorização está ligada ao fato de que as taxas de inflação no Brasil estão persistentemente acima das americanas nos últimos anos e qual o limite do BC. Ontem, o BC parece ter indicado um teto próximo de R$ 2,20. Se, mesmo após um sinal positivo do Fed na reunião de hoje, o BC tiver que intervir no câmbio com a mesma força de ontem, então poderemos dizer que o movimento tem sim um componente local.
Existem motivos? Sim, existem diversos motivos para sair do Brasil. O primeiro deles é a atratividade dos outros países. O segundo é a falta de regras claras para investimentos (de todos os tipos) no país. Por fim, temos o movimento nas ruas e a incerteza política, que pode ganhar grandes proporções.
E aí, meu amigo? E se o movimento for mais interno do que externo? Bem, aí podemos ter movimentos de overshooting e/ou intervenções mais seguidas do BC, pois a meta de inflação não está permitindo mais desvalorização. Mais 10% ou 20% de desvalorização e o pass-through leva embora meta com teto e tudo.
segunda-feira, 17 de junho de 2013
Sobre o Que É, e Sobre o Que Não É
Neste exato momento ocorrem diversas manifestações pelas capitais e demais cidades do país. Os movimentos organizadores, que iniciaram demandando a redução dos preços das passagens de ônibus, agora divulgam a frase "não é por centavos, é por direitos".
Pois bem, eu não sei ainda sobre o que de fato é a manifestação, mas aparentemente a elevação dos preços das passagens foi a gota d´água para muitos brasileiros. Cansados de pagar impostos (inclusive inflacionário) e não ver as contrapartidas, o descontentamento estourou o limite do tolerável. Também não é só isso, é também uma sequência de eventos, como PEC-37, falta de educação e saúde, Copa do Mundo, mudanças de regras, caos aéreo, corrupção, inflação geral, etc.
Acho que a materialização das Arenas, construídas com o dinheiro público, deram a noção da fortuna que é jogada fora em diversas áreas do governo. Sobre o tema, o Drunkeynesian escreveu um excelente post (AQUI).
Como eu disse no meu post (AQUI), o foco não era o preço da passagem. Não seria inteligente protestar contra isso, e sim deveria ser outro o objetivo. Sobre o movimento somente sobre as passagens, escrevi ao final do post "Ou não é inteligente, ou o objetivo não é este". Agora sabemos que o objetivo era outro, era de alguma forma, mudar o que está acontecendo no país.
Não sei até onde esse movimento irá. Será triste se os governos reduzirem as tarifas de ônibus e os movimentos acabarem. Mas, é fundamental ressaltar que o principal meio de alterar o país ainda é através das eleições. A democracia é uma das poucas coisas boas que nos resta e temos que nos apegar a ela. Não adianta ir para a passeata hoje, e em outubro votar nos mesmos candidatos. Se vocês acham que não tem opção, então dêem opções. Se candidatem e apresentem propostas inteligentes!
sábado, 15 de junho de 2013
Comentários Sobre as Manifestações
Recebi quatro tipos de comentários relacionados ao post de ontem. Alguns me xingavam gratuitamente e nada argumentavam, alguns contestavam a relação entre IPCA e o preço das passagens, um terceiro grupo contestava a idéia de preservar contratos e outro contestava a idéia de manifestação pacífica. Vou comentar rapidamente cada um, já lembrando que não pretendo mudar a opinião de ninguém e sim esclarecer o meu ponto de vista.
1) Xingamentos
Os xingamentos foram imediatamente deletados. Nem sei porque esse pessoal perde tempo com xingamentos se sabem que filtro tudo. Dica: não perca o seu tempo. Lá no Facebook, não só deleto o comentário como a pessoa fica banida da página. Tanto o blog quanto a página no Facebook são áreas privadas, sob as quais eu tenho responsabilidade jurídica e tenho o direito e o dever de administrar da forma que eu achar que é melhor para mim.
2) Relação IPCA x preço da passagem
Esses foram os mais inteligentes. Na verdade o preço das passagens não está ligado ao IPCA cheio e sim a um subgrupo de preços ligados ao transporte, e talvez esteja mais ligado ao IGP-M, dependendo do contrato. Logo, se compararmos veremos que as passagens subiram mais que o IPCA. Isso certamente acontece com muitos outros produtos e serviços. Um gráfico do Terra, que o leitor Lemuel (obrigado Lemuel) deixou lá na página do blog no Facebook, ilustra bem isso:
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| Clique para ampliar. |
Notem que há períodos de descolamento dos preços (círculos em vermelho). Os dois primeiros certamente estão relacionados com a desvalorização cambial que aumenta os preços de combustíveis e demais preços de produtos ligados ao transporte. Notem que os períodos são justamente após as desvalorizações de 99 e 2002. Existem também períodos de manutenção do preço, nas faixas azuis. Eles andam paralelamente ao IPCA. O que fica difícil explicar é o período de 2010 a 2012. Nesse período há um terceiro descolamento.
O ponto do meu post era mostrar que o problema não era o 6,5% desse ano. Mas sim, o acúmulo de aumentos. E que se o protesto fosse espontâneo ele teria que ter acontecido também contra o aumento de outros produtos que também subiram mais que o IPCA.
Se o IPCA é o melhor indicador para avaliar os custos do setor de transporte coletivo eu não sei. Não sou especialista em transporte, mas acredito que não, que deva ser algo ligado a preço da gasolina, pneus, salário dos motoristas de ônibus, etc. O que nos leva ao terceiro ponto: os contratos.
3) Alguns comentários pregavam a quebra e/ou revisão dos cotratos. Eu tenho sempre a idéia que contratos devem ser bem redigidos e devem prever renegociação. O que é algo normal entre partes privadas. No caso do setor público, cabe aos órgãos responsáveis solicitar a renegociação. Isso já aconteceu no passado. Mas, deve ocorrer dentro de um trâmite jurídico correto e não pode ser quebrado unilateralmente, sob a pena de vermos a repetição deste ato e afastamento de investidores de outros projetos. Mas, como incentivarmos a renegociação do contratos, então? Aí que chego ao quarto ponto.
4) Alguns comentários pregavam a violência como forma de manifestação e/ou reação do Estado. Eu sou contra, eu acho que você perde a razão. É a minha opinião. Por favor, não venham pregar violência no meu blog, pois o comentário não será publicado. O grande exemplo de manifestação pacífica combinada a desobediência civil é a Marcha do Sal, declarada por Mahatma Gandhi. Gandhi era contra o monopólio estatal na produção de sal. Eles saíram caminhando pelas estradas até chegaram ao mar e pegar o sal. Mais de 60 mil foram presos, mas no final Gandhi saiu vitorioso em suas demandas. O vídeo abaixo conta um pouquinho como foi:
Bom, só queria compartilhar com os meus leitores a minha visão sobre os comentários que recebi.
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sexta-feira, 14 de junho de 2013
A Verdadeira Causa dos Protestos
Os aumentos das passagens de ônibus acontecidos no Rio, SP e em outras capitais, mostram a indignação da sociedade com a elevação de um preço. Esse preço porém, tem seu reajuste previsto em contrato e tem como base (direta ou indiretamente) a inflação.
Sabemos que a sociedade brasileira não é muito afeita a cumprir contratos, então cabe aqui discutir dois aspectos dos protestos assumindo que desejamos preservar os contratos:
1) Eles direcionam a indignação para o preço correto?
Creio que não. O aumento do preço da passagem já era previsto e sabido. O gatilho que leva ao aumento é a inflação passada e/ou prevista. A verdadeira causa do aumento é a inflação de preços da economia como um todo, que também se reflete nos custos dos transportes. De fato, esse deveria ser o objeto da manifestação. A indignação deveria estar voltada para o IPCA, o grande vilão da vida do trabalhador. Os trabalhadores, estudantes e donas de casa estão sendo apresentados a este nosso amigo IPCA. Ao longo do tempo ele vai se acumulando e os efeitos começam a ficar mais salientes. Talvez os estudantes de 18 ou 20 anos estejam lidando com ele de forma mais concreta pela primeira vez em suas vidas, o que de certa forma mostraria uma certa ingenuidade. O que nos leva ao segundo aspecto.
2) Esta é uma manifestação inteligente, ingênua e espontânea?
Certamente não é inteligente. Caso fosse uma manifestação contra o aumento do preço dos ônibus, eles deveriam protestar contra a inflação e o IPCA. Os motoristas de ônibus, agências bancárias e (pasmem) contêiners de lixo (ver foto abaixo) não seriam os alvos. Os verdadeiros alvos deveriam ser o Ministério da Fazenda, o Banco Central e o Palácio do Planalto. Eles deveriam fazer uma manifestação pacífica e inteligente, na frente desses órgãos. Eles sim, são os causadores dos aumentos de preços. O que nos leva a concluir que a manifestação pode até ser ingênua (protestar contra a coisa errada) mas certamente não é inteligente. Também não é espontânea. Caso fosse, as donas de casa já teriam saído as ruas contra o aumento do preço dos alimentos, e os idosos contra o aumento dos preços dos remédios e dos planos de saúde. Essas manifestações são organizadas e, ao que consta no noticiário de hoje, um sujeito teria vindo de São Paulo para organizar o protesto (e ser preso) em Porto Alegre. Que tal?
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| Manifestantes atacam contêiner de lixo em POA. Foto: Ricardo Duarte / Agência RBS |
Portanto, temos um caso interessante de clamor popular, organizados por grupos de interesses específicos, lutando contra a consequência da inflação e não contra a verdadeira causa e/ou causadores. Não me parece muito inteligente caso o objetivo fosse mesmo a defesa da preservação do poder de compra. Ou não é inteligente, ou o objetivo não é este.
PS: Cabe ressaltar que nada que escrevi acima justifica atos de vandalismo ou violência por nenhuma das partes (manifestantes ou Estado). Tentei fazer apenas uma reflexão sobre o objeto da manifestação.
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Manual de Sobrevivência na Universidade
Caros leitores,
é com enorme prazer que divulgo o livro do economista Leonardo Monasterio. O Manual de sobrevivência na universidade: da graduação ao pós-doutorado mostra como estudantes ou professores iniciantes podem sobreviver (e até curtir) a vida acadêmica.
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O link direto está AQUI. Recomendo a todos os meus alunos que estão na graduação, mestrado e doutorado e também para os meus leitores mais acadêmicos.
Lembrando sempre que você não precisa ter o Kindle, você pode instalar o leitor de livros da Amazon (o Kindle para Windows ou Mac) e ler no seu notebook ou desktop.
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Mantegada Semanal #42
Perguntado sobre a atual cenário econômico, o nosso ministro da Fazenda disse o seguinte (da Folha):
Folha - O cenário hoje no mercado é de pessimismo e de falta de credibilidade da política fiscal. A que o sr. atribui isso?
Guido Mantega - O melhor indicador não é conversa mole, mas as atitudes concretas do mercado em relação ao Brasil. Fomos neste primeiro semestre palco do maior IPO [oferta pública inicial de ações] do mundo, do BB Seguridade, de R$ 11,5 bilhões. A Petrobras captou US$ 11 bilhões. O investimento externo direto, até abril, foi de US$ 19 bilhões. São provas de confiança na economia brasileira.
Folha - Mas por que o pessimismo?
Guido Mantega - Temos um evento internacional importante, que vem ocorrendo há 15 dias, desde que o Fed [banco central americano] passou a sinalizar que vai retirar os estímulos que vinha colocando na economia. Hoje, todas as Bolsas estão caindo no mundo. Não é um problema do Brasil, mas generalizado.
Desta vez não vou nem escrever muito. Sim, parece haver uma breve recuperação dos investimentos. Mas, o caso do IED não é tão empolgante. Na verdade, de acordo com o Balanço de Pagamentos (código no SST do BC: 2860) entre janeiro e abril de 2012 o IED foi US$ 20,1 bilhões, acima dos US$ 18,9 bilhões deste ano. Não vejo muita prova de maior confiança. Por esse número diria que a confiança segue a mesma.
No caso das bolsas, é verdade que muitas estão em queda. O Japão por exemplo, está enrolado nas suas próprias políticas. Mas não é verdade que o caso brasileiro tem 15 dias, ele apenas se acentuou nos últimos 15 dias. Vejamos o gráfico do Ibovespa nos últimos 24 meses:
Nos primeiros 3 meses de 2012 a bolsa ia bem. Então, a partir de maio começou a declinar. Ficou um tempo andando de lado, e depois novamente voltou a cair. Justamente no primeiro trimestre de 2012. Ou seja, não é o IED que está causando esse movimento. Também não é a tendência de mudança na política monetária americana, já que a queda e da bolsa nos últimos 12 meses foi acompanhada de um pico histórico da bolsa americana, o que em tempos normais levaria ao crescimento do Ibovespa. Sim, talvez esses últimos 15 dias o movimento do câmbio tenha sido maior. Mas, ele não teria sido este caso a economia estivesse em um outro momento econômico.
Guidão, meu caro, tem alguma outra coisa por trás dessa movimentação nos últimos 12 meses. Mas não vou lhe dizer o que é sob a pena de parecer que é conversa mole.
terça-feira, 11 de junho de 2013
Inflação, Financiamentos e Sazonalidade
Converso muito com o pessoal do setor cafeicultor aqui do ES. Um aluno meu, o Guilherme Sossai, trouxe uma questão interessante. Discute-se muito no ramo de produção de café sobre as mudanças ocorridas ao longo da ultima década no processo de financiamento do custeio da safra.
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| Pé de café carregado. |
Antes de 2002 o processo de custeio funcionava da seguinte maneira: o produtor poderia financiar o custeio da lavoura baseado na quantidade de café plantado em hectares e na idade da plantação, e o mesmo seria pago em três parcelas (agosto, setembro e outubro) no ano seguinte. Já com o pagamento da primeira parcela efetuado poderia fazer um próximo custeio.
A partir de 2002 o sistema foi modificado. Ao invés de três parcelas, o financiamento seria pago em apenas uma parcela que era vencida logo após a colheita (julho), resultando em um menor tempo de espera por preços melhores da saca, já que o financiamento é pago com o dinheiro da colheita da safra financiada. A dinâmica foi modificada pela primeira vez.
O quadro do cafeicultor encontrou-se ainda mais complexo em meados de 2011, pois os custeios tomados a partir de 2011 (safra 2011/2012) agora vencem no dia 2 de abril.
Sabendo que a colheita do café é historicamente finalizada no mês de julho, os produtores são obrigados a vender café futuro para pagar o custeio. Como o valor da venda futura é na maioria das vezes menor que o valor de mercado, o café sai mais barato e por consequência colabora para segurar a inflação, mesmo que considerado extremamente prejudicial por parte do produtor.
Portanto, de certa forma, a mudança na dinâmica do financiamento afetou os preços, já que os produtores aparentemente vivem uma situação de restrição de crédito. Esse é só um exemplo de uma das medidas do atual governo que, ao buscar um determinado objetivo, acabam gerando distorções não-intencionais.
PS: Agradeço ao Guilherme Sossai pelo comentário enviado por email.
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sexta-feira, 7 de junho de 2013
Voando Mais Alto (Será?)
São diversos os gargalos de infra-estrutura na economia brasileira. Eu nem ia escrever sobre isto, pois tem muita gente já batendo nesta tecla. Mas, diante dos relatos recentes do Alex e do Mansueto, AQUI e AQUI, respectivamente, não posso deixar de falar em um gargalo importante: a falta de concorrência no setor de aviação.
Assim como eles, também já fui vítima das aéreas. Tive meu vôo da Passaredo que ia de São Paulo para Ribeirão Preto cancelado e tive que encarar algumas horas de ônibus, sem qualquer reembolso, é claro. Para completar, durante as quase 3 horas em que me deixaram preso em um guichê da empresa em Guarulhos decidindo se ia ou não ter o vôo, o Barcos passou por mim e não pude tirar uma foto com ele. Realmente, uma lástima.
Temos basicamente duas empresas no setor. Gol e TAM. Elas fazem o que querem com os preços, horários dos vôos e com a qualidade do serviço. Este final de semana vim de Fortaleza e o lanche da Gol era pago. Era né, porque quando a moça chegou na minha fila eu já estava meio sem fome. Pedi um dos sanduíches e não tinha mais. A ineficiência é irmã da falta de concorrência.
Um tempo atrás escrevi um post debochado, em que eu sonhava assumir a cadeira da presidência. Está lá, ou melhor, AQUI, para quem quiser conferir. Uma das primeiras medidas seria a abertura do setor aéreo para as empresas estrangeiras. Sonhava eu: "Entravam a British Airways, a Continental, Delta, United, etc. O vôo Vitória - Porto Alegre virava realidade. Era pela US Airways."
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| VIX-POA de US Airways |
Pois, parece que em meio a tantas políticas econômicas capengas o Ministro da Aviação, Moreira Franco, cogitou levar ao congresso o fim da legislação que obriga que as empresas do setor aéreo tenham um mínimo de 80% do capital nacional. Segundo o Estadão (leia na íntegra AQUI):
O assunto está há anos na pauta do Congresso Nacional, que revisa o Código Brasileiro de Aeronáutica, de 1986. Anterior à Constituição, o texto limita a 20% a participação de capital de fora nas companhias que realizam voos internos no País. O governo já chegou a defender o teto de 49%, mesmo porcentual previsto na Constituição para o restante da economia. Segundo Moreira Franco, o importante é incentivar a entrada de mais companhias aéreas no mercado brasileiro, pouco importando o porcentual acionário. Em busca de maior competição, o ministro defende o fim de limites ao capital, desde que as empresas obedeçam à lei.
Seria a realização de um sonho. Mas, infelizmente, não acredito que essa ideia vá pra frente neste Governo. Seria um choque de competitividade, um choque de concorrência, irmã da eficiência e do preço baixo. Seria um vôo mais alto para o setor aéreo. Atrairíamos aina mais investimentos no setor e criaríamos uma malha de vôos regionais. O dinamismo da economia aumentaria de forma importante, fomentando o turismo e os negócios.
Infelizmente, acho que o Alex, o Mansueto, eu e você continuaremos a nos debater por aeroportos e rodoviárias desse país. Desde de já, desejo muito boa sorte a todos nós.
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quinta-feira, 6 de junho de 2013
Perspectivas para Um Futuro Não Muito Distante
Esta semana estive numa correria danada com aulas e em viagem para Fortaleza, no congresso da ANPCONT (que é a versão da ANPEC para contadores). Apresentei dois artigos de alunos e recebemos comentários bem produtivos. Nesses dias o blog ficou meio de lado, mas muitas coisas aconteceram.
A Selic subiu mais do que o esperado e o movimento do dólar foi na direção contrária da que o governo pretendia com a queda do IOF. A verdade é que os investidores estão preferindo outros países, dado o samba do afro-descendente com dislexia que virou a política econômica atual. Política fiscal e monetária andam em direções opostas e o Governo/BC ainda ainda fica intervindo no câmbio. Não tem receita melhor pra afastar o investidor estrangeiro e postergar investimentos das empresas. Pra completar, as famílias caíram na realidade que não é uma boa ideia pagar empréstimos com novos empréstimos (como sugeriu o Min. da Fazenda, AQUI) e estão consumindo menos.
A verdade é que a perspectiva de médio e longo prazo da economia é essa que se desenha. Baixo crescimento e inflação na casa de 6% ao ano. Para alterar esse quadro será necessária uma mudança grande nas políticas econômica, de investimentos e de educação nesse país. Algo que eu não vislumbro nos próximos 6 anos. Melhor começarmos a pensar de 2019 em diante...
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| Encontro da ANPCONT 2013. |
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quarta-feira, 29 de maio de 2013
Pibinho 2.0
O resultado do PIB não me surpreendeu. Meu dadinho disse que o crescimento em 2013 vai ser 2,0% (AQUI) e eu acredito mais nele no que no amigo Guidão. Muitas projeções vão ter que ser refeitas hoje a tarde. Ainda bem que atualizar os dados do E-views é fácil.
A questão agora é mais complicada. Prestem atenção. O crescimento está baixo e a inflação elevada. Nesse cenário, o BC pode elevar os juros pra tentar conter a inflação e jogar o crescimento do PIB abaixo dos 2%. Ou, pode acomodar e deixar a inflação subir ainda mais, batendo quase no teto da banda.
Em ambos os casos, o cenário econômico não é favorável. A economia vai crescer pouco ou quase nada. Pra complicar, ainda tem o câmbio pressionando a inflação. Aparentemente, ele está se movimentando devido a fatores externos e internos.
O maior temor são as reações que esse cenário pode provocar. Se o governo errar no diagnóstico e der um remédio errado (mais crédito, por exemplo) a coisa pode ficar bem complicada, e daí não vai ter dadinho que consiga fazer previsão.
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terça-feira, 28 de maio de 2013
Externalidades: O Caso do Seguro-Desemprego para Pescadores
Quando eu dou exemplo de externalidades aos alunos, em geral cito a ocasião em que o consumo de um indivíduo afeta o bem-estar do outro. Falo do caso do fumante, do vizinho que escuta música alta, e outros exemplos clássicos de livro texto.
Trago então um caso que certamente não entrará em nenhum livro texto. Eu não vou reproduzir a história toda, mas início da história é o seguinte (AQUI):
Em Aquiraz, no Ceará, Dona Tarcília Bezerra construiu uma expansão de seu cabaré, cujas atividades estavam em constante crescimento após a criação de seguro desemprego para pescadores e vários outros tipos de bolsas. Em resposta, uma igreja evangélica local iniciou uma forte campanha para bloquear a expansão, com sessões de oração de manhã, à tarde e à noite. O trabalho de ampliação e reforma progredia célere até uma semana antes da reinauguração, quando um raio atingiu o cabaré queimando as instalações elétricas e provocando um incêndio que destruiu o telhado e grande parte da construção. Após a destruição do cabaré, o pastor e os crentes da igreja passaram a se gabar “do grande poder da oração”.
Bem, o caso foi parar na justiça. Queria saber se os legisladores pensaram nessa possível externalidade do seguro-desemprego para pescadores quando votaram esta medida. :)
PS: Não sei se a estória é verdadeira, mas não deixa de ser uma boa estória.
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domingo, 26 de maio de 2013
Match Day
Conversei com o Vinicius Paiva, que escreve o blog Teoria dos Jogos no Globoesporte, sobre a importância da diversificação das receitas dos clubes de futebol e os benefícios da fidelização do torcedor a partir da exploração o dia de jogo, o chamado match day.
Confiram como ficou clicando AQUI.
segunda-feira, 20 de maio de 2013
Pensou Errado
Todos sabemos que fazer previsões econômicas não é tarefa fácil. Prever o câmbio do dia seguinte já é complicado, imagina o PIB. Bem, mas existem pessoas especializadas nisso. No início do ano as projeções para o crescimento do PIB em 2013 iam desde 2,8% (Morgan Stanley) até 4,5% (Santander). Agora, já com 5 meses passados no ano, as previsões do FOCUS aparecem próximas de 2,8%. Ponto para o Morgan Stanley. Isso se não der o que o meu dadinho previu: 2%.
Segundo o Ministro da Fazenda (AQUI):
"O cenário internacional não melhorou. Eu pensei que ia melhorar, mas a União Europeia (UE) está em recessão e continua dando maus resultados. A economia americana tem uma recuperação lenta. Então, dependemos de nós mesmos e estamos conseguindo superar as dificuldades mesmo assim, com um crescimento maior que no ano passado"
Acho que ele pensou errado.
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quinta-feira, 16 de maio de 2013
Vodka ou Água de Côco (nos EUA)
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terça-feira, 14 de maio de 2013
Faixa Azul
Brasil tem a faixa azul mais longa no estudo do BBVA. Ou seja, temos o maior período abaixo da média e decrescendo entre os EAGLES:
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| Clique para ampliar. |
Estamos por 5 trimestres consecutivos nessa faixa azul escuro. Que tal?
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domingo, 12 de maio de 2013
As Fontes de Receita do Futebol Brasileiro
O blog Olhar Crônico Esportivo compilou os dados dos balanços dos clubes brasileiros em uma única tabela (ver AQUI). A tabela está abaixo:
Os dados mostram diferenças entre os modelos de negócio dos clubes. Corinthians, Flamengo e SPFC, por exemplo, tem na TV uma grande fonte de receita operacional, enquanto que para Grêmio e Coritiba, por exemplo, a receita dos torcedores é a maior. Internacional, SPFC e Fluminense, complementaram as receitas com forte receita de direitos federativos.
Em média, os 17 maiores clubes (em receita) arrecadaram R$ 157 milhões em 2012. Cerca de R$ 109 milhões em receita operacional. Desta última, a proporção média foi: 60% TV, 20% marketing, e 20% de bilheteria, sócio torcedor e estádio. A receita operacional foi 69% do total e o restante foi dividido entre direitos federativos, 16%, e outras receitas, 15%.
As receitas de clubes variam muito de ano pra outro, em função da campanha, dos contratos de TV, de ter um jogador com potencial de venda, etc. Mas, uma das fontes de receitas mais estáveis é a do quadro social (terceira coluna).
Neste quesito, os clubes parecem estar acordando para o potencial de receita e tem investido muito. Em particular, Corinthians e Atlético cresceram muito no último ano, e 2013 parece ser o ano que o Flamengo vai acordar pra essa fonte de receita.
O site http://www.futebolmelhor.com.br dá descontos aos sócios dos clubes. Nele, estão disponíveis os números de adimplentes de cada clube. Segue abaixo o ranking do dia 12/Maio:
A dupla Grenal lidera o ranking de torcedores adimplentes, seguidos do Corinthians e Santos. Pioneiros no programa sócio-torcedor, a dupla Grenal só perdeu neste quesito para o SPFC, que apesar de ter 21,600 sócios adimplentes, arrecadou 65 milhões em 2012. O que mostra o potencial da bilheteria na cidade de SP e também da propriedade do Morumbi.
Isso me leva a inferir que o Corinthians, após concluir o seu estádio, irá liderar este tipo de receita com sobras. O Flamengo, com a volta do Maracanã, terá grande potencial de arrecadação.
A tendência, na minha opinião, é que os torcedores vão ajudar a contrabalançar os efeitos dos contratos de TV, que tendem a favorecer Flamengo, SPFC e Corinthians, pelo menos nos contratos nacionais.
O interessante é notar que a segunda coluna, marketing, não está tão correlacionada com a terceira. A correlação dos 17 primeiros é 0,36. Positiva, mas não tão alta quanto eu esperaria. Já a correlação entre torcida (adimplentes) e receita de marketing é 0,56. Isso significa que a receita de marketing está muito ligada ao número de torcedores. Mais até que com a receita dessa torcida. Aqui usei somente 14 clubes, pois Goiás, Atlético-PR e Coritiba não estão no programa do Futebol Melhor.
Os números mostram o potencial de receitas dos sócios e marketing é grande. Agora, será necessário mais profissionalismo e ações que aproximem os torcedores dos clubes. Seriedade com o dinheiro dos sócios e desempenho dentro de campo serão fundamentais para os clubes que tem menores receitas de TV.
Oferta e Demanda no Bar
E se o preço da cerveja variasse de acordo com a oferta e demanda? Como será que se comportariam os preços das bebidas em um bar? E como os consumidores responderiam a esses movimentos?
Um empresário resolveu colocar as forças da oferta e demanda e outras variáveis econômicas para funcionar em tempo real.
Confira AQUI!
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sexta-feira, 10 de maio de 2013
Bolsa para Universitários
Segundo o Estadão:
Apesar de ainda não saber quantos alunos se enquadram no programa, o governo federal lançou nesta quinta-feira, 9, uma bolsa de auxílio de R$ 400 para estudantes de universidades e institutos federais que tenham renda média familiar de até 1,5 salário mínimo por pessoa e façam cursos com média de 5 horas diárias de aula. Para indígenas e quilombolas, o valor é maior: R$ 900.
Eu sou um grande entusiasta do estímulo ao aprendizado e tenho certeza que uma ajuda financeira tem papel importante. Eu mesmo fui bolsista de iniciação científica, de mestrado e doutorado. Em todos os casos eu tinha que dar uma contrapartida durante ou depois da bolsa. E ela tinha um prazo fixo, determinado no início da sua vigência.
Entretanto, alguns aspectos do programa proposto me deixaram um pouco desanimado com relação a este projeto. O primeiro deles é essa falta de planejamento. Poxa, como assim não sabem quantos alunos se enquadram no programa? Sobrou pressa e faltou cuidado no lançamento do programa, hein?
Segundo, os alunos vão receber a bolsa até um ano depois de formados. Aí eu vejo um problema grave. Eu estudei em federal, sei bem como funciona. Tinha colega meu que tinha entrado 5 anos antes. Trabalhava no diretório acadêmico e gozava dos diversos privilégios de um estudante de federal (almoço barato, passagem barata, meia-entrada, etc.).
Os incentivos para se formar e trabalhar eram baixos para alguns. O problema não são os privilégios, que são mais uma ajuda, na verdade. Mas, o incentivo que isso causa. No caso da bolsa, quanto mais o estudante protelar a formatura, mais tempo ele tem a bolsa. Isso desestimula a busca por emprego. É o que a teoria econômica e comportamental nos ensina.
No anúncio, o secretário de Ensino Superior disse que não sabe a demanda pelo recurso, mas que tem recurso pra atender toda a demanda (que ele não sabe qual é). Enfim, me pareceu mal planejado.
Acho válida a idéia, mas alguns aspectos poderiam ser mudados. Principalmente, a questão da ausência de contrapartida.
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quinta-feira, 9 de maio de 2013
Promoção "Questões ANPEC": Frase Vencedora
Escolhida pela grande maioria dos votos lá no Facebook, a frase vencedora é:
"Matemática, cada traço fica evidente minha inclinação por você, nossa relação não tem limite ou dimensão, é contínua, homogênea, irrestrita, às vezes complexa, eu sei, mas saiba que no meu coração, seu posto é máximo."
Parabéns ao Adriano Teixeira! Em breve ele vai receber a coleção completa em casa!
PS: Adriano, por favor me envie o seu endereço por email.
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quarta-feira, 8 de maio de 2013
O Caso do Playstation 3
Eu sempre fui um entusiasta dos videogames. Tive um Odissey, Atari, Mega Drive (pulei uma geração), um PS2 e desde 2010 tenho um PS3. Eu comprei ele nos EUA, antes de mudar pro Brasil, na versão usada, por US$ 200, quando uma nova custava US$ 299.
Recentemente, meu PS3 estragou. Ele teve problema de superaquecimento (problema conhecido dos modelos antigos do PS3). Eu tentei consertar sozinho, mas não deu certo. Enfim, comecei a olhar os preços.
Hoje, o preço nas lojas nos EUA é de US$ 250 por um aparelho novo. Isso porque no fim do ano deve estar sendo lançado o PS4. Está acabando o ciclo do PS3 por lá.
Enfim, hoje um PS3 novo sai por cerca de R$ 500 nos EUA. No Brasil, as lojas comercializam o produto por algo em torno de R$ 1.400 e R$ 1.700. Ou seja, o triplo do preço. Já caiu bastante, é verdade. Chegou a ser mais de R$ 2.000.
Esta semana saiu na Arkade a notícia (AQUI) que o PS3 produzido na Zona Franca de Manaus vai ser comercializado à R$ 1.099 (as lojas já estão até vendendo nos sites). Ainda assim, mais que o dobro do preço da versão americana.
O mais interessante é perceber que a comunidade ligada no assunto comemorou. Sim, claro, é ótima a redução de 33% no preço, mas o preço continua absurdamente alto. Isso, em um setor que o Brasil tem grande participação no desenvolvimento de softwares e tecnologia. Será que não existiria uma forma mais simples de fomentar o mercado de games no Brasil?
Claro que sim, reduzindo o imposto de importação do console. Neste caso, você não cobra impostos no console e deixa pra cobrar nos games. Isso cria a cultura do acesso ao console, e por fim difunde a indústria dos games, que é de onde a maior parte dos serviços e comércio acontece. Com a venda de alguns games você já gerou a renda de um console. Você cria a cultura, forma pessoas, etc.
Mas, certamente algum iluminado decidiu subsidiar a produção em Manaus sob o argumento que vai gerar meia-dúzia de empregos.
Sabe o que é mais interessante? Daqui a 6 meses vai sair o PS4 e o preço vai ser o triplo do cobrado nos EUA. Podem favoritar!
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terça-feira, 7 de maio de 2013
"Promoção ANPEC": Duas Frases Finalistas
Pessoal, recebi muitas frases criativas para a "Promoção ANPEC". Como fiquei na dúvida, resolvi pedir a ajuda de vocês. Escolham entre as duas finalistas:
Frase 1: Estatística
"Me fascino por ela, amada evidência, porque ela testa meu fogo, estima meu parâmetro, faz da minha esperança um outlier – estatística: a prática que toda teoria precisa."
Frase 2: Matemática
"Matemática, cada traço fica evidente minha inclinação por você, nossa relação não tem limite ou dimensão, é contínua, homogênea, irrestrita, às vezes complexa, eu sei, mas saiba que no meu coração, seu posto é máximo."
Agora é o seguinte, você pode votar nas duas finalistas lá na página do blog no Facebook!
Segue o link: https://www.facebook.com/blogdocmcosta
A votação vai até o dia 9 de Maio!
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